A conta · Infraestrutura
Carregador de carro elétrico: tomada, wallbox ou eletroposto
Brasil · Leitura de 6 minutos

Neste artigo
A conta do carro elétrico nasce na tomada, e a escolha do carregador decide se ela fecha. Um mesmo carro pode custar R$ 0,13 ou R$ 0,60 por quilômetro, dependendo de onde a energia entra.
Existem três níveis de recarga, e eles não competem entre si: cada um resolve uma situação diferente.
Nível 1: tomada comum
A recarga em tomada residencial usa o cabo que costuma acompanhar o carro. A potência fica tipicamente entre 2 e 3 kW em rede de 220 V.
A conta é direta: divida a capacidade útil da bateria pela potência e você tem as horas. Uma bateria de 40 kWh em um carregador de 2,5 kW leva cerca de 16 horas para ir de vazia a cheia.
Na prática, ninguém carrega de vazio a cheio todo dia. Quem roda 40 km e consome 15 kWh/100 km gasta 6 kWh, que voltam em pouco mais de duas horas. Para uso urbano de bateria pequena, a tomada resolve.
O cuidado obrigatório: o circuito precisa suportar corrente contínua por muitas horas seguidas. Tomada antiga, fiação subdimensionada ou extensão improvisada são risco de incêndio, e o uso de extensão é desaconselhado pelos próprios fabricantes.
Nível 2: wallbox residencial
O wallbox é uma estação fixa, montada na parede, com potência típica entre 7 e 11 kW em instalações residenciais.
Ele reduz o tempo de recarga por um fator de três a quatro em relação à tomada comum, e adiciona proteções elétricas dedicadas, o que é a razão principal para instalá-lo em quem roda bastante.
A instalação exige circuito exclusivo, disjuntor dedicado, dispositivo de proteção contra corrente residual e avaliação do padrão de entrada da casa. A potência que você pode instalar é limitada pela capacidade disponível na sua entrada de energia, e a avaliação precisa ser feita por profissional habilitado.
O custo do equipamento com a instalação costuma aparecer na faixa de alguns milhares de reais, variando bastante com a distância entre o quadro e a vaga. Coloque o valor na planilha de compra do carro, porque faz parte do investimento inicial.
Nível 3: recarga rápida em corrente contínua
Os carregadores rápidos entregam corrente contínua direto para a bateria, com potências de 50 kW para cima. São os postes de estrada e de estacionamento comercial.
O tempo de referência útil é o trecho de 20% a 80% de carga, que na maioria dos modelos leva entre 20 e 40 minutos. Acima de 80%, a curva de recarga cai bastante para proteger a bateria, e esperar até 100% em carregador rápido é desperdício de tempo.
Dois pontos definem o tempo real de parada, e nenhum deles é a potência anunciada no poste: a potência máxima que o carro aceita e o estado de carga em que você chega. Carro que aceita 50 kW não carrega mais rápido em poste de 150 kW.
O kWh público custa bem mais caro que o residencial, e a recarga rápida frequente acelera o desgaste da bateria. Ela é a ferramenta da viagem, não a rotina.
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Conectores: o que importa saber
No Brasil, o padrão predominante para recarga em corrente alternada é o conector Tipo 2, e para corrente contínua o CCS2, que acrescenta dois pinos de potência abaixo do Tipo 2.
Alguns modelos, principalmente de origem asiática, podem usar outros padrões de corrente contínua. Antes de comprar, confirme o conector do carro e cheque se os pontos de recarga dos seus trajetos habituais atendem esse padrão.
Adaptadores existem, e nem todos são recomendados pelo fabricante. Em recarga de alta potência, improviso de conector é risco elétrico real.
Condomínio: resolva antes de assinar o pedido
O ponto de energia na vaga é o item que mais atrasa a vida de quem compra elétrico morando em prédio.
O caminho prático tem três etapas. Primeiro, levantar com o síndico se a entrada de energia do edifício comporta a carga adicional. Segundo, definir a medição individual, para que o consumo seja cobrado de quem recarrega, e não rateado. Terceiro, aprovar a instalação em assembleia e registrar em ata.
Comece o processo antes de fechar a compra do carro. Aprovação de assembleia demora, e ficar com um elétrico sem ponto de recarga transforma a economia projetada em despesa de eletroposto.
O erro mais caro
O erro mais caro não é escolher o wallbox errado, é comprar o carro sem ter resolvido onde ele vai dormir carregando.
A vantagem econômica do elétrico é quase inteiramente doméstica. Quem depende de rede pública no dia a dia paga várias vezes mais por kWh, e o payback que justificava a compra deixa de existir.
Quanto custa cada nível por quilômetro
Com consumo de 15 kWh/100 km, o quilômetro sai perto de R$ 0,13 em tarifa residencial de R$ 0,85 por kWh. O mesmo quilômetro em carregador rápido público, com kWh várias vezes mais caro, pode passar de R$ 0,40.
A diferença entre os dois números é o motivo pelo qual a decisão sobre onde recarregar vale mais que a decisão sobre qual elétrico comprar.
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