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SUV elétrico: o que peso e área frontal cobram da bateria
Brasil · Leitura de 5 minutos

Neste artigo
O SUV é a carroceria mais vendida do país e a menos amiga da eficiência elétrica. As duas coisas são verdadeiras ao mesmo tempo, e o comprador precisa de números para conciliá-las.
Dois fatores explicam o consumo maior: massa e área frontal. Massa custa energia em cada aceleração e em cada subida. Área frontal custa energia o tempo todo em velocidade de rodovia.
O arrasto cresce mais rápido que a velocidade
A força de arrasto aerodinâmico cresce com o quadrado da velocidade, e a potência necessária para vencê-la cresce com o cubo. Um veículo alto e largo enfrenta essa curva com desvantagem estrutural em relação a um sedã de mesma plataforma.
A consequência prática aparece na estrada, não na cidade. Em trânsito urbano, com frenagem regenerativa recuperando energia a cada parada, a diferença de consumo entre SUV e sedã encolhe. A 110 km/h, ela se abre.
Quem faz a maior parte do uso em rodovia e ainda quer SUV precisa compensar com bateria maior, e bateria maior custa dinheiro e peso.
Peso, carga e reboque
Carga no porta-malas, teto ocupado e reboque acoplado aumentam consumo de forma perceptível.
Bagageiro de teto merece atenção especial: ele piora justamente a área frontal e o coeficiente aerodinâmico, os dois piores lugares para piorar num veículo elétrico em viagem. Instalado e vazio, continua cobrando energia.
Se você reboca com frequência, verifique se o modelo tem capacidade homologada para reboque e trate a autonomia como fração relevante da anunciada, com margem de planejamento bem maior que a usual.
Como dimensionar a bateria pelo trajeto
O método que funciona não parte do folheto, parte do seu trajeto recorrente mais longo.
Primeiro, escreva o percurso mais longo que você faz com regularidade, ida e volta, em quilômetros. Segundo, aplique um redutor: conte com 70% a 85% da autonomia anunciada em rodovia com ar-condicionado ligado. Terceiro, verifique se o percurso cabe com folga de pelo menos 20% depois do redutor.
A folga cobre desvio, congestionamento, perda de capacidade da bateria ao longo dos anos e a recomendação prática de não operar sempre nos extremos de carga.
Se o percurso não couber, a solução é bateria maior ou um ponto de recarga confiável no destino. Disciplina de condução não substitui capacidade.
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O custo por km na prática
SUVs elétricos costumam ficar na faixa alta de consumo, e o número exato da versão está na etiqueta do Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular, do INMETRO.
Com 20 kWh/100 km e tarifa entre R$ 0,70 e R$ 1,00 por kWh, a recarga doméstica sai perto de R$ 0,14 a R$ 0,20 por quilômetro. Um SUV a combustão que faça 9 km por litro com gasolina a R$ 6,00 gasta cerca de R$ 0,67.
A economia fica próxima de R$ 0,50 por quilômetro. Quem roda 1.500 km por mês guarda perto de R$ 750, o que compensa razoavelmente bem uma diferença de compra moderada e continua insuficiente para diferenças muito grandes.
Repita a conta com o seu consumo, a sua tarifa e a sua rodagem antes de decidir.
Três verificações específicas de SUV
Capacidade de carga e de reboque homologadas, que em elétricos podem ser menores que a intuição sugere por causa do peso da bateria.
Altura livre do solo e proteção do pacote de bateria, relevante para quem trafega em estrada de terra ou entra em garagem com rampa acentuada.
Tamanho e tipo de pneu, porque medidas grandes em veículo pesado encurtam a vida útil e representam uma despesa recorrente que costuma ficar fora da planilha inicial.
E, como em qualquer elétrico, o contrato de garantia da bateria de tração, com prazo, quilometragem e percentual mínimo de capacidade retida por escrito.
Recarga em viagem com a família dentro
O SUV elétrico é frequentemente comprado como carro de viagem em família, e o planejamento de parada muda quando há mais gente no carro.
O ponto positivo é que a parada de recarga coincide com a parada de banheiro e lanche, o que reduz a sensação de tempo perdido. O ponto de atenção é que o carro cheio, com bagagem, consome mais, e a autonomia planejada precisa considerar o veículo carregado, não vazio.
Antes da viagem, verifique dois dados: a potência máxima de recarga que o carro aceita em corrente contínua e a existência de pontos compatíveis nos trechos escolhidos. Os dois juntos definem o tempo real de deslocamento porta a porta.
Manutenção e o que muda em relação ao SUV a combustão
Sai a troca de óleo, o filtro de óleo, a correia, as velas e o escapamento. Ficam pneus, freios, suspensão, filtro de cabine e o fluido de arrefecimento da bateria.
Suspensão merece atenção especial em SUV elétrico, porque o peso do pacote de bateria solicita componentes de forma mais intensa que num veículo equivalente a combustão. Considere o item na projeção de custo, principalmente para quem trafega em piso irregular.
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