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Veículo elétrico: BEV, HEV, PHEV e MHEV sem sopa de letrinhas

Brasil · Leitura de 6 minutos

Quatro peças de powertrain alinhadas sobre superfície escura de concreto, motor elétrico, inversor, pacote de bateria e bloco compacto de combustão, luz fria com contorno teal

Quatro siglas dividem tudo que o mercado chama de veículo elétrico, e a confusão entre elas custa dinheiro real. Um carro anunciado como híbrido pode nunca ser ligado na tomada, e outro pode depender da tomada para entregar o consumo prometido.

A diferença entre as quatro está em duas perguntas: o carro tem motor a combustão, e a bateria pode ser recarregada na rede elétrica.

BEV: elétrico a bateria

O BEV, sigla de battery electric vehicle, não tem motor a combustão. A energia vem inteiramente da bateria, recarregada na rede.

É a arquitetura com o menor custo por quilômetro e a manutenção mais simples, porque não existe óleo, escapamento, embreagem nem correia dentada. Também é a única que zera a emissão no escapamento, já que escapamento não existe.

A contrapartida é a dependência de infraestrutura. Sem lugar para recarregar com previsibilidade, o BEV vira um problema de logística diária.

HEV: híbrido convencional, que não vai à tomada

O HEV, híbrido não recarregável, tem motor a combustão, motor elétrico e uma bateria pequena. A bateria é abastecida pelo próprio motor e pela frenagem regenerativa, nunca por um cabo.

O ganho aparece no trânsito urbano, onde o motor elétrico assume as arrancadas e as retomadas em baixa velocidade e o motor a combustão desliga nas paradas. Em rodovia constante, a vantagem sobre um carro a combustão eficiente encolhe bastante.

O HEV é a escolha de quem quer reduzir consumo sem mudar nada na rotina: abastece na bomba, não instala nada em casa e não depende de eletroposto.

PHEV: híbrido plug-in

O PHEV tem os mesmos dois motores do HEV, com uma bateria bem maior e a possibilidade de recarregar na tomada. Roda em modo elétrico por uma faixa que costuma cobrir o deslocamento urbano de um dia e, quando a bateria acaba, segue como híbrido convencional.

É a arquitetura mais flexível e a mais fácil de usar errado. Quem compra um PHEV e nunca liga na tomada carrega o peso da bateria grande sem colher a economia, e termina com consumo pior que o de um HEV.

O PHEV compensa para quem tem recarga em casa e faz viagens longas com frequência, um perfil comum em quem mora em capital e viaja no fim de semana.

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MHEV: o híbrido leve

O MHEV, híbrido leve, usa um sistema elétrico de baixa tensão, tipicamente de 48 V, que assiste o motor a combustão sem conseguir mover o carro sozinho.

Ele suaviza o corte do motor nas paradas, ajuda na retomada e recupera um pouco de energia na frenagem. A economia existe e é modesta, na casa de poucos pontos percentuais, e o carro continua sendo essencialmente um veículo a combustão.

A sigla aparece muito em anúncio porque permite chamar o carro de eletrificado. Ao comparar preços, trate o MHEV como um carro a combustão com um acessório de eficiência, e não como um híbrido.

Como as quatro se comportam no custo por km

A ordem do custo de energia por quilômetro, do menor para o maior, é previsível: BEV com recarga doméstica, PHEV rodando em modo elétrico, HEV, MHEV e por fim o carro a combustão puro.

A inversão acontece quando a recarga sai de casa. Um BEV abastecido só em carregador rápido público perde boa parte da vantagem, porque o kWh público custa bem mais que o residencial, e pode chegar perto do custo por km de um HEV eficiente.

A conta que importa é a sua, com a sua tarifa e a sua proporção entre recarga doméstica e pública. Um BEV que recarrega 90% em casa é um carro barato de rodar; o mesmo BEV recarregado 90% na rua é outro produto.

A tabela de decisão, sem torcida

Quem roda muito, tem vaga com energia e faz percursos urbanos previsíveis: BEV.

Quem roda muito, tem vaga com energia e viaja longe com frequência: PHEV, desde que o hábito de ligar na tomada exista de verdade.

Quem mora em prédio sem ponto instalado, estaciona na rua ou não pode mexer na instalação elétrica: HEV, que entrega economia sem exigir infraestrutura.

Quem roda pouco e troca de carro rápido: nenhuma das quatro se paga pela economia de combustível. A decisão passa a ser por preferência de dirigibilidade e conforto, o que é legítimo, desde que seja consciente.

O que conferir na etiqueta antes de fechar

A etiqueta do Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular, do INMETRO, é o único documento que permite comparar modelos pelo mesmo critério. Nela estão o consumo energético e a classificação de eficiência do veículo.

Nos BEV, procure o consumo em kWh por 100 km, que é o número que multiplica a sua tarifa. Nos PHEV, procure os dois regimes separados, porque a média ponderada divulgada em anúncio depende de uma proporção de uso que talvez não seja a sua.

E confira a garantia da bateria de tração, que é contrato separado. Prazo, quilometragem e percentual mínimo de capacidade retida mudam de marca para marca, e são o que sustenta o valor do carro na revenda.

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